O inventário de emissões é o ponto de partida de qualquer estratégia de carbono. Sem baseline, nenhum crédito pode ser gerado e nenhuma redução pode ser comprovada perante o SBCE ou qualquer certificadora internacional.
Passo 1: Definir o limite organizacional
Controle operacional: incluir todas as operações sobre as quais a empresa tem controle operacional. É a abordagem mais comum para indústrias brasileiras.
Controle financeiro: incluir operações que a empresa controla financeiramente. Usado quando há joint ventures ou contratos de operação com terceiros.
Passo 2: Identificar fontes por escopo
Escopo 1: emissões diretas
→ Caldeiras e fornos (queima de combustível)
→ Frotas próprias (diesel, gasolina, GNV)
→ Geradores de emergência (diesel)
→ Gases refrigerantes: recargas anuais × GWP (R-410A = 2.088, R-134a = 1.430)
→ Processos industriais com emissão direta
Escopo 2: energia elétrica comprada
kWh/ano total × fator de emissão da rede (MCTI, atualizado anualmente). Inclui todas as instalações e turnos.
Escopo 3: cadeia de valor
Transporte de insumos, distribuição de produtos, viagens corporativas, resíduos gerados. É onde clientes regulados vão pedir os dados da sua empresa.
Passo 3: Coletar dados de atividade
| Fonte | Dado de atividade | Fonte do dado |
| Caldeira/forno | Litros ou m³ de combustível/ano | Notas fiscais |
| Frota própria | Litros de combustível/ano | Notas fiscais + controles |
| Climatização | Kg de refrigerante recarregado/ano | Ordens de serviço |
| Energia elétrica | kWh/ano | Faturas de energia |
| Transporte terceiro | Km ou ton×km | CTe, contratos de frete |
Passo 4: Calcular as emissões
| Fórmula: Emissão (tCO₂e) = Dado de Atividade × Fator de Emissão → Energia elétrica: MCTI (atualizado anualmente) → Combustíveis: MCTI e IPCC Guidelines → Gases refrigerantes: GWP do IPCC AR6 → Transporte: IPCC Tier 1 com dados brasileiros |
Passo 5: Documentar para verificação
→ Declaração de limite organizacional com justificativa
→ Lista de fontes com identificação por escopo
→ Dados de atividade com comprovante documental
→ Fatores de emissão referenciados (fonte + versão)
→ Planilha de cálculo rastreável por fonte
→ Relatório final conforme GHG Protocol
Verificação independente: obrigatória para créditos certificados (Verra, Gold Standard, SBCE). Organismos: DNV, Bureau Veritas, SGS, RINA.
| O erro mais comum no primeiro inventário: Ignorar as recargas de gases refrigerantes no Escopo 1. Um sistema com 500 kg de R-410A representa 1.044 tCO₂e de potencial de emissão. Escopo 1 incompleto invalida o baseline. |
| FAQ: Quanto tempo leva o primeiro inventário? Para indústria de médio porte: 4 a 8 semanas para levantamento e cálculo. Verificação independente: mais 4 a 6 semanas. Precisa ser atualizado todo ano? Sim. Para SBCE e certificação de créditos, o inventário precisa ser anual. O segundo inventário é significativamente mais rápido. Empresa pequena precisa inventariar Escopo 3? Para o SBCE fase inicial, foco em Escopos 1 e 2. Mas se clientes forem regulados, exigirão dados de Escopo 3 da cadeia. Vale mapear as fontes mais relevantes. |
| A Venner Engenharia Ambiental estrutura inventários de emissões de GEE: → Levantamento de fontes por escopo → Coleta e validação de dados de atividade → Cálculo com fatores MCTI e IPCC atualizados → Relatório auditável + preparação para verificação independente Fale com nosso time. |





